Se o seu caso é outro, o quadro muda: quem quer gastar em dólar sem taxa de câmbio publicada olha para o Crypto.com Visa (depósito em reais por Pix sem taxa e, hoje, sem tarifa de transação internacional no tier de entrada), e quem já guarda stablecoin fora do Brasil e só quer um cartão aceito em qualquer maquininha Visa olha para o RedotPay — avaliado em detalhe no nosso review do RedotPay no Brasil.
Os seis são o mesmo tipo de cartão: pré-pago de débito
Cartões de cripto vêm em quatro famílias — crédito de verdade, pré-pago de débito, crédito com garantia em cripto e híbridos — e essas famílias não se comparam numa lista só, porque o custo de cada uma funciona de um jeito diferente. Todos os seis cartões desta página são pré-pagos de débito: você carrega um saldo (em cripto ou em moeda fiduciária) e a compra debita desse saldo, com a conversão acontecendo na recarga ou no momento do pagamento. Não há fatura, não há limite de crédito e não há juros — o custo está nas tarifas de conversão, câmbio e emissão.
Comparação de taxas: o que cada um publica
| Cartão | Moeda do cartão | Conversão / recarga | Câmbio (FX) | Mensalidade | Emissão |
|---|---|---|---|---|---|
| Bybit Card | BRL | 0,9% na conversão de cripto (mín. R$ 10) | 1,5% fora do BRL | R$ 0 | R$ 0 (virtual e físico) |
| Binance Card (BR) | BRL | não publica para o cartão brasileiro | não publica | R$ 0 | R$ 0 |
| Crypto.com Visa | USD | depósito BRL via Pix sem taxa; recarga com cartão bancário 1% | 0% no tier Ruby hoje; a partir de 1º/out/2026, grátis até US$ 500/mês e 2% acima | US$ 0 | físico: US$ 5,99 (Midnight) a US$ 29,99 (Ruby), com isenções por assinatura ou stake |
| Foxbit Card | BRL | não publica | não publica | R$ 0 | não publica |
| OKX Card | USD | Pix → stablecoin sem taxa de conversão (anúncio de lançamento) | 0% anunciado; tabela específica do Brasil não publicada | não publica para o Brasil | não publica para o Brasil |
| RedotPay | USD | depósito cripto grátis; conversão de 1% ao gastar | 1,2% fora do USD | US$ 0 | US$ 10 virtual / US$ 100 físico |
Três leituras práticas dessa tabela:
- Cartão em real não paga câmbio no Brasil. Bybit, Binance e Foxbit liquidam em reais; a compra na padaria não atravessa dólar. Nos cartões em dólar (Crypto.com, OKX, RedotPay), cada compra em reais é tecnicamente uma compra em moeda estrangeira — no RedotPay isso custa 1,2% de câmbio mais 1% de conversão, cerca de 2,2% no total, segundo guia brasileiro que detalha o produto.
- A Bybit é a única que publica a tabela oficial de tarifas do Brasil linha por linha: conversão de 0,9% sobre a cotação de venda com mínimo de R$ 10, câmbio de 1,5%, saque grátis até R$ 550/mês e depois 2%, limite mensal de gasto de R$ 27.500 no tier padrão, chegando a R$ 550.000 no topo.
- "Sem taxa" anunciado não é tabela publicada. A OKX lançou o cartão no Brasil em novembro de 2025 — primeiro mercado do mundo, segundo a cobertura da Exame — e afirma que as compras não têm IOF nem spread cambial. Mas a única tabela oficial de tarifas que a OKX publica é a da região do Espaço Econômico Europeu; não existe tabela brasileira publicada, então confirme os números dentro do aplicativo antes de usar.
Os seis cartões também aparecem lado a lado no nosso comparador de cartões.
Cashback de base: o que você recebe sem condição
Comparamos apenas a taxa de base — a que você recebe sem atingir degrau nenhum — porque os percentuais máximos anunciados dependem de condições que a maioria dos usuários não cumpre.
- Crypto.com Visa: 2% em CRO no tier Ruby, o tier de entrada do programa Level Up no Brasil — mas exige manter CRO em stake (US$ 270 na promoção de lançamento brasileira, normalmente US$ 500). Sem stake, não há esse cashback.
- Foxbit Card: 0% na compra típica. A página oficial da Foxbit publica os degraus: 0% abaixo de R$ 1.000, 0,5% de R$ 1.000 a R$ 2.999,99 e 1% a partir de R$ 3.000 — por compra, e somente quando a compra é debitada de saldo em cripto. Compras pagas com saldo em reais não recebem nada.
- RedotPay: 0%, sem programa de recompensas.
- Binance Card (BR): a comunicação de lançamento anuncia no máximo 2%, com teto de R$ 500 por mês em compras pagas com cripto, mas a taxa de base do programa brasileiro não é publicada em fonte verificável — confirme no aplicativo.
- Bybit Card e OKX Card: nenhuma taxa de base documentada para o programa brasileiro. A Bybit roda promoções periódicas; a tabela de cashback do cartão OKX publicada é a europeia e não vale automaticamente para o Brasil.
Pix e moeda do cartão
O trilho de entrada importa tanto quanto a taxa. Binance Card (BR) e Foxbit Card são cartões brasileiros em reais, alimentados pelo ecossistema local — a Foxbit pelo saldo da própria corretora, que se abastece por Pix. Crypto.com aceita depósitos em reais por Pix e TED sem taxa, processados pela entidade brasileira Foris GFS (CNPJ 39.993.186/0001-62), e o cartão em si é em dólar. OKX anuncia conversão de Pix para stablecoin sem taxa dentro do OKX Pay. Bybit liquida o cartão em reais, mas não documenta um trilho de Pix direto para o cartão — a recarga é a venda do saldo da corretora. RedotPay não tem Pix nem qualquer depósito em reais: o caminho é comprar USDT numa corretora brasileira e enviar para o aplicativo, o que descrevemos passo a passo no review completo. Se você ainda não tem conta em corretora, comece pelo nosso guia de primeira compra de cripto. E se a dúvida é anterior — cartão, venda com saque via Pix ou pagamento direto —, o guia de como gastar criptomoedas no Brasil compara as três rotas.

Carteiras digitais e saque
Todos os seis funcionam com Google Pay, e Apple Pay está listado para os programas brasileiros — no caso do RedotPay, a reativação do Apple Pay em cartões emitidos recentemente tem uma condição própria, detalhada no review do RedotPay. Para dinheiro em espécie: Bybit dá R$ 550/mês grátis em saque e cobra 2% depois; Crypto.com cobra 2% acima da franquia mensal de saque; RedotPay cobra 2% (até US$ 10.000/mês) mais o câmbio de 1,2% fora do dólar; o cartão OKX é somente virtual e não saca.
O que os emissores não publicam
Um comparativo honesto diz onde falta número. A Binance não publica a taxa de conversão nem o câmbio do cartão brasileiro emitido pela Pomelo — os números do programa global não valem aqui. A Foxbit não publica câmbio, emissão nem taxa de recarga. A OKX não publica tabela de tarifas nem de cashback do Brasil. A Bybit não documenta cashback de base para o Brasil. Onde não há número publicado em fonte verificável, esta página não inventa um: confirme dentro do aplicativo antes da primeira recarga.
Dois avisos de contexto que valem dinheiro: a Bybit anunciou a migração dos usuários brasileiros para uma entidade local, com verificação adicional obrigatória para manter o acesso ao cartão; e um guia terceirizado em português ainda descreve o cartão OKX como exclusivo da Europa e de Singapura, o que contradiz a cobertura de imprensa do lançamento brasileiro. Confirme a disponibilidade dentro do aplicativo antes de pedir o cartão.
E o Nexo Card?
Leitores perguntam pelo Nexo Card, e a resposta cabe numa linha: a página oficial da Nexo em português diz que o cartão está disponível apenas para cidadãos e residentes de países europeus selecionados (Espaço Econômico Europeu e Reino Unido) — residentes no Brasil não são elegíveis.
Imposto: gastar cripto no cartão é vender cripto
Em todos os seis cartões, pagar uma compra com saldo em cripto converte esse saldo — e conversão é alienação para o imposto de renda brasileiro, como uma venda. O regime depende de onde a cripto está custodiada: saldos em corretoras brasileiras seguem o regime nacional (15% a 22,5% progressivo, com isenção quando o total alienado no mês fica até R$ 35.000), e saldos custodiados com provedores estrangeiros seguem a Lei nº 14.754/2023 (15% fixos ao ano, sem a isenção mensal). Cada emissor desta página se encaixa num desses quadros conforme sua estrutura societária. Os dois regimes, o teste da custódia e a exceção do cartão com garantia estão no nosso guia de imposto para cartões cripto; antes de fazer do cartão seu meio de pagamento principal, confirme o enquadramento do seu caso com um contador.
Exemplo em R$ — doméstico vs exterior num cartão que liquida em BRL
Bybit Card (publicado): emissão R$0, mensalidade R$0, conversão 0,9%, FX 1,5% fora do BRL, ATM grátis até R$550/mês depois 2%.
| Cenário | Pilha que pesa | Aprox. em R$500 |
|---|---|---|
| Padaria em BRL | só conversão 0,9% (sem FX em liquidação doméstica BRL) | ≈ R$4,50 |
| Compra online no exterior | conversão 0,9% + FX 1,5% (+ IOF se o comprovante mostrar) | ≈ R$12 antes do IOF |
| ATM R$300 (dentro da faixa grátis) | R$0 de ATM na faixa publicada | R$0 ATM + conversão se funding veio de cripto |
Escolha pela pilha do seu uso, não pelo slogan da porta.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor cartão de criptomoedas do Brasil? Pelos números publicados, o Bybit Card: emissão R$ 0, conversão 0,9%, cartão em reais (sem câmbio na compra doméstica), saque grátis até R$ 550/mês e a única tabela oficial de tarifas específica do Brasil. Quem quer cashback sem stake não encontra hoje uma taxa de base publicada melhor que os degraus da Foxbit a partir de R$ 1.000 por compra.
Existe cartão de cripto com Pix? Sim. Binance Card (BR) e Foxbit Card operam em reais dentro do ecossistema local; Crypto.com e OKX aceitam entrada de reais por Pix no aplicativo (o cartão é em dólar). RedotPay não aceita Pix — o caminho é USDT via corretora brasileira.
Cartão de cripto tem anuidade? Nenhum dos seis cobra mensalidade ou anuidade publicada em real ou dólar, com uma ressalva: OKX não publica tarifa para o Brasil, e a emissão do cartão físico pode custar — US$ 10/US$ 100 no RedotPay, e US$ 5,99 a US$ 29,99 no Crypto.com conforme o plano, com isenções.
Pagar com cartão de cripto gera imposto? Sim: cada compra que converte cripto é uma alienação para a Receita Federal, mesmo em valor pequeno. O regime (nacional progressivo ou 15% fixos da Lei 14.754/2023) depende de onde a cripto fica custodiada. Confirme com um contador.
Veredito
O Bybit Card ganha a comparação de 2026 porque é o único cartão de cripto no Brasil que publica a própria tabela de tarifas do país — e os números publicados são bons: R$ 0 de emissão, 0,9% de conversão, real como moeda do cartão. O Crypto.com Visa é a escolha de quem gasta em dólar e aceita a mecânica de stake para ter 2% em CRO; a Foxbit é o cartão brasileiro nativo para quem já opera naquela corretora; e o RedotPay resolve um problema diferente — gastar stablecoin que já está fora do Brasil. Onde o emissor não publica número, a resposta certa é confirmar no aplicativo antes de carregar saldo.