Ordem da pilha (igual ao diagrama): FX → conversão/recarga → IOF quando aplica → ATM → emissão/mensalidade. Taxas maker/taker de corretora são outro produto.
Resposta rápida: A surpresa cara não é “a taxa X”. Compare a pilha nesta ordem: FX → conversão/recarga → IOF (quando aplica) → ATM → emissão/mensalidade, mais linhas que o perfil não publica. Números: perfis de provedor da CryptoFacts. Spread não publicado neste conjunto — não inventamos.
| Fator | O que o perfil realmente mostra | Por que uma tarifa só falha |
|---|---|---|
| FX | RedotPay 1,2%; Bybit Card 1,5%; OKX Card 0 no relato de lançamento; Binance Card BR unpublished | Comparar só mensalidade esconde o maior percentual do gasto |
| Conversão / top-up | RedotPay +1% no gasto; Bybit +0,9% no top-up (além do One-Click Sell); OKX top-up 0 no relato; Binance unpublished | Não é o mesmo campo que FX |
| IOF | Sem alíquota universal na mesa; OKX registra zero FX/IOF em compras no lançamento | Copiar IOF de um cartão para outro é erro |
| ATM | Bybit: grátis até R$550/mês, depois 2%; OKX ATM indisponível; RedotPay e Binance ATM disponível sem % publicado | Saque não é compra |
| Emissão / mensalidade | RedotPay emissão 10 USDT-eq., mensalidade 0; Bybit e Binance emissão 0 e mensalidade 0; OKX unpublished | Zero aqui não zera o resto |
| Unpublished | Binance FX/conversão; OKX tarifas fixas; ATM % de RedotPay/Binance | Campo vazio ≠ 0% |
| Rede on-chain | Nenhum destes perfis publica percentual de rede | Funding cripto é linha da carteira, fora da agenda do cartão |
Não compare uma tarifa X. Compare a pilha.
O anúncio escolhe o número mais limpo: mensalidade 0, cashback, “sem anuidade”. O perfil da CryptoFacts guarda o resto. Se você ranqueia cartões por um fator só, Bybit Card e Binance Card BR empatam em emissão/mensalidade 0 — e o empate é falso. Bybit publica FX 1,5% e top-up 0,9%. Binance Card BR deixa FX e conversão de fora do perfil BR de propósito (números do programa global não foram copiados).
Três disciplinas de leitura:
- Some as linhas publicadas (FX + conversão/top-up + ATM se for sacar + emissão se for a primeira vez).
- Marque o que está unpublished — isso é um risco de comparação, não um desconto.
- Trate IOF e rede como fatores externos à agenda do cartão, a verificar na operação, não como zero automático.
spread (não publicado) é null nestes quatro perfis. O que existe é taxa FX. Não some um “spread extra” inventado em cima do FX publicado.
Fator 1 — FX (e o que as pessoas chamam de spread)
RedotPay: taxa FX 1,2 em compras não-USD, agenda global em USD (USDT-eq.). Bybit Card: taxa FX 1,5, cartão que liquida em BRL. OKX Card: taxa FX 0 no perfil, com nota de base da taxa dizendo que a cobertura de lançamento no Brasil relata zero spread de FX/IOF em compras. Binance Card BR: taxa FX null.
A surpresa: o brasileiro que viaja ou gasta em moeda que não é a de liquidação do cartão paga FX mesmo quando a mensalidade é zero. No RedotPay, compra não-USD é o caso típico se o seu dia a dia é BRL. No Bybit Card, o FX publicado já é 1,5% — maior que o 1,2% do RedotPay — e ainda não inclui o top-up.
Não use o FX de um cartão como proxy do outro. Não use o 0% reportado do OKX Card como “o mercado de cartão cripto no Brasil é sem FX”.
Fator 2 — conversão no gasto vs top-up
São linhas diferentes, e os perfis não as misturam.
- RedotPay: 1% de conversão cripto no gasto, além do FX. taxa de recarga/conversão no perfil é 0 — o 1% não mora no top-up, mora no spend. Quem olha só top-up=0 perde o 1%.
- Bybit Card: taxa de recarga/conversão=0,9 é a conversão cripto sobre a taxa One-Click Sell, além do FX 1,5%. Duas percentagens, dois momentos (abastecer vs gastar em FX).
- OKX Card: taxa de recarga/conversão=0 no perfil, alinhado ao relato de lançamento de conversão BRL–stablecoin zero. Confirme no app.
- Binance Card BR: taxa de recarga/conversão=null. Mesma regra do FX: unpublished não é zero.
Pilha mínima publicada, só com o que o perfil escreve (sem IOF, sem ATM, sem rede):
- RedotPay em compra não-USD: 1,2% + 1% = 2,2% no gasto, mais emissão 10 USDT-eq. se ainda não pagou.
- Bybit Card: 1,5% FX + 0,9% top-up = 2,4% nas linhas percentuais publicadas, emissão 0.
- Isso não é o custo total. É o piso documentado antes dos fatores que o perfil não precifica.
Fator 3 — IOF, quando a operação se enquadra
IOF não é campo taxa FX. A mesa não publica uma alíquota única de IOF para cartão cripto. O único enunciado ingestado de IOF neste conjunto está no OKX Card: cobertura de lançamento com zero FX/IOF em compras. Isso não autoriza:
- copiar 0% de IOF para RedotPay, Bybit Card ou Binance Card BR;
- substituir o FX publicado pelo IOF;
- tratar Pix de corretora como “já paguei IOF, o cartão está isento”.
Se a liquidação do cartão for operação internacional ou de câmbio no sentido da norma, IOF pode entrar. Se não for, pode não entrar. A CryptoFacts não fecha essa conta no perfil. Leia o comprovante da operação e, se for decisão fiscal, fale com profissional. A surpresa aqui é metodológica: IOF é fator, não slogan.

Fator 4 — ATM e saque
Compra e saque não compartilham a mesma linha.
- Bybit Card: ATM disponível. nota de base da taxa: faixa gratuita até R$550/mês, depois 2%. A surpresa clássica é estourar o teto e descobrir o 2% no extrato.
- OKX Card: ATM indisponível. Mesmo com FX reportado zero em compras, saque não é parte do produto no perfil. “Cartão sem FX” não implica “cartão com ATM grátis”.
- RedotPay e Binance Card BR: ATM disponível, percentual de ATM não publicado. Dá para dizer que saque existe como capacidade; não dá para dizer o preço.
Se o seu caso de uso é caixa, o fator ATM pode valer mais que o FX da compra. Se o seu caso é só POS, ATM não deve decidir o ranking — mas ainda precisa estar visível para não ser a surpresa da viagem.
Fator 5 — emissão, mensalidade e o cartão “grátis”
Bybit Card e Binance Card BR: emissão 0, mensalidade 0. RedotPay: emissão 10 (USDT-eq.), mensalidade 0. OKX Card: emissão e mensalidade unpublished.
Zero na porta de entrada é um fato útil para o fluxo de ativação. Não é um fato sobre o gasto. Cashback também não cancela FX: 2% de volta em cima de 1,5% de FX mais 0,9% de top-up não é “o cartão paga para você usar”. A CryptoFacts não carrega cashback como campo de taxa nestes perfis; por isso esta mesa não usa cashback para zerar a pilha.
Fator 6 — unpublished é um fator, não um desconto
Binance Card BR é o caso-escola: agenda brasileira, tarifas planas em BRL, FX e conversão de fora. Quem compara “Binance 0% de FX” está lendo um campo que não existe. A comparação honesta é: “FX não publicado — conferir no app”.
OKX Card deixa tarifas fixas unpublished para o Brasil mesmo com FX e top-up reportados zero. RedotPay e Binance não publicam o % de ATM. spread (não publicado) é null nos quatro.
Regra da mesa: unpublished entra no checklist como pergunta, nunca como zero na planilha.
Fator 7 — rede e funding, fora da agenda do cartão
Nenhum dos quatro perfis publica um percentual de rede on-chain. Se você manda USDT ou outra cripto para abastecer o cartão, a taxa de rede é da carteira/rede, não da agenda Visa/Mastercard do perfil. Somar um “network fee” inventado ao taxa FX seria o mesmo erro, invertido, de ignorar o FX.
O que dá para afirmar: funding cripto é um passo extra em relação a um cartão bancário abastecido em BRL via Pix. O custo desse passo precisa ser lido onde a transferência acontece.
Como a pilha muda o ranking (sem inventar número)
Segurando apenas campos publicados:
- RedotPay mostra a pilha mais explícita no gasto não-USD (1,2% + 1%) e cobra emissão 10 USDT-eq. Mensalidade 0. ATM sem %.
- Bybit Card empilha 1,5% + 0,9% e detalha ATM (R$550 / 2%). Emissão e mensalidade 0. Liquida em BRL. Status BR: somente editorial.
- Binance Card BR ganha o slogan de porta de entrada (0 e 0) e perde a comparação de FX — o campo não está lá. ATM true, % unpublished. Status BR: somente editorial.
- OKX Card é o outlier de cobertura de lançamento (FX 0, top-up 0, IOF 0 em compras) com ATM desligado e tarifas fixas unpublished. Status BR: somente editorial. Confirme no app antes de tratar o relato como tabela vigente.
Nenhum desses quatro “vence” se a pergunta for uma tarifa X. A pergunta certa é: quais fatores o meu uso realmente aciona (compra em BRL, compra em USD, saque, primeiro cartão, funding on-chain)?
Checklist
- Liste os fatores do seu uso: FX, conversão/top-up, IOF, ATM, emissão, rede, unpublished.
- Some só o que o perfil publica. Não complete buraco com zero.
- Separe compra de saque. ATM do Bybit Card tem teto; OKX Card não tem ATM no perfil.
- Não compare cashback com FX. São sinais diferentes; cashback não está nestes campos de taxa.
- Leia status de mercado no Brasil. somente editorial não é CTA e não é autorização BCB.
- Se o cartão for USD (RedotPay) e o seu gasto for BRL, assuma o caminho de conversão no gasto — o perfil não documenta Pix nativo.
Cascata em R$ — compra de R$1.000 no exterior (linhas publicadas Bybit Card)
Só com números publicados do Bybit Card (FX 1,5%, conversão 0,9%, emissão/mensalidade R$0; faixa grátis de ATM não entra numa compra):
- Conversão 0,9% → ≈ R$9,00
- FX 1,5% → ≈ R$15,00
- IOF → some só se o comprovante mostrar enquadramento (não inventado aqui)
- ATM → R$0 numa compra
- Emissão/mensalidade → R$0
Subtotal antes do IOF ≈ R$24 em R$1.000. Por isso ranquear cartões por “mensalidade = 0” engana.
FAQ
Mensalidade zero elimina IOF? Não. Mensalidade e IOF não são o mesmo fator. IOF depende da operação.
Posso usar só a tabela de cashback? Não. Cashback não cancela FX 1,2% ou 1,5%, nem o 1% / 0,9% de conversão.
Qual é o spread além do FX? Nestes perfis, spread (não publicado) está unpublished. Use taxa FX. Não invente um segundo spread.
Pix na corretora cobre o cartão? Não automaticamente. Pix é trilho de depósito; o cartão tem agenda própria (USD global no RedotPay; BRL no Bybit Card).
Se o FX não está publicado, posso achar que é zero? Não. Esse é o fator unpublished — pergunte no app.
OKX Card sem ATM e sem FX é o mais barato? Só se o seu uso for compra e se o relato de lançamento ainda valer no produto. Sem ATM, sem tarifas fixas publicadas, e com status somente editorial, a comparação continua incompleta.
Veredito
As taxas de cartão cripto que mais surpreendem no Brasil não cabem em uma tarifa X. Cabem na pilha: FX, conversão/top-up, IOF quando couber, ATM, emissão, unpublished e funding de rede. Some o que o perfil publica; marque o que ele não publica; não deixe o slogan de mensalidade zero fechar a conta.